Wednesday, April 13, 2011
E no O Povo de hoje uma revista comemorativa do aniversário de Fortaleza tenta traçar um perfil do fortalezense. Para além do cidadão bem humorado, que sabe receber bem seus visitantes e orgulhoso das praias ensolaradas que frequenta, as reportagens expõem também o lado preconceituoso dos moradores de Fortaleza (lembrando o episódio de intolerância que marcou a praça da Gentilândia), o desejo de fuga dos moradores que vislumbram mudança para outros estados (sem surpresa alguma, RJ e SP aparecem como os principais destinos, segundo pesquisa do Iepro), a baixa auto-estima que faz o fortalezense tão inseguro questionar a beleza da sua terra. Ow Fortaleza... que grande merda fizeram com a tua cabecinha. Entregue a homens e mulheres que não souberam te amar... Gente envergonhada da forma como fala, se escondendo no humor, no deboche... Você me desculpe. Talvez eu esteja pessimista demais e tanto riso talvez signifique coragem, uma forma única e demasiado humana de sobreviver... arma de um povo que conhece o sofrimento. Talvez, Fortaleza, você não seja aquilo que seu nome ameaça... Antes de prender, há certo gosto em entregar tuas crias para o mundo. Somos os judeus brasileiros, não somos? A fuga dos teus moradores, não é fuga, é o voo alto daqueles que aprenderam a aproveitar a força dos teus ventos, daqueles que recusaram se deixar enlouquecer por essa ventania que nunca termina, como naquele filme de Almodovar. E talvez a insegurança sobre sua beleza seja apenas alguma forma de humildade dolorosa. De todo modo, nesse dia nublado, nesse dia em que tuas luzes estão discretas e teu asfalto tomado pela chuva, olho pela minha janela e por entre os prédios sempre em construção, em meio as buzinas de uma Santos Dumont sufocada, te acho uma cidade tão triste. Fortaleza, cidade pouco amada, parabéns pelo teu aniversário.
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